- 0
Encontros com Ariane Mnouchkine
Erguendo um monumento ao efêmero
Autor: Josette Feral
Editora: Edições Sesc
Colaboradores: Paulo Vieira, Andrea Caruso Saturnino, Josette Feral, Ariane Mnouchkine, Jean-Michel Lamothe, Chantal Collin, Charles Lafortune, Diane Dubeau, Annick Charlebois, Dominique Dupire, Serge Ouaknine, Renée Noiseux-Gurik, Serge Denoncourt, Jean-Stéphane Roy, Martine Beaulne, Mario Lejeune, Simon Abkarian, Catherine Graham, Juliana Carneiro da Cunha, Brontis Jodorowsky, Serge Denoncourt, Aline Ouellet, Marie Ouellette, Danielle Codogliani, Michel Savard, Nirupama Nityanandan, Robert Reid, Nancy MccReid, Michel Vaïs, Jimmy Fleury, Claude Despins, Dominique Daoust, Christopher Picker, Raymond Nauber, Serge Bisson, Joanne Simoneau, Marcelo Gomes
Avaliação:
R$ 52,00 á vista
Em até 4 de 13.00 s/juros
Quantidade:
Código: 9786586111088
Categoria: Teatro
Descrição Saiba mais informações
Quem assistiu em Paris às encenações de
1779 e 1793, do Théâtre du Soleil, teve a sorte
e o encantamento de presenciar a consolidação
de um projeto artístico e existencial de Ariane
Mnouchkine. Uma multidão de intérpretes,
ocupando um enorme galpão, recriava a
Revolução Francesa.
Desde então, Ariane e seu grupo montam
grandes painéis consagrados aos momentos
em que a História enlouquece em contraditórios
e violentos episódios. Mas a fragilidade humana
cotidiana também ocupa as atenções do
Soleil, como São Paulo viu em 2007, quando
a companhia, a convite do Sesc, trouxe
Les Éphémères, um olhar compassivo e poético
sobre o fato incontornável da brevidade da
vida, os encontros/desencontros ou, como diz
Ariane, “os momentos que não se podem
reter”. Um teatro de beleza plástica, emoção
e sabedoria.
Estudante de jornalismo, eu estava entre os
espectadores na temporada de 1973 e, desde
então, acompanho o Soleil, Ariane e a atriz
Juliana Carneiro da Cunha, amiga de longa
data. Nesse período, observei Ariane promover
o cortejo da “morte da cultura”, no centro de
Paris, quando o governo faltou com as verbas
necessárias ao setor. Como cidadã reivindicante,
ela tem dessas audácias, e foi assim que
conquistou seu teatro. O local havia sido uma
fábrica de munições que o Exército iria devolver
ao Estado quando Ariane fez sua ocupação
pacífica. Hoje, o grupo está regularizado e paga
aluguel pelo espaço.
Essa congregação no bosque de Vincennes
(fora do centro de Paris) tem o seu momento
simbólico nas refeições conjuntas e
compartilhadas com o público quando há
espetáculos. Todos são iguais, até nos salários
modestos, mas a aura de Ariane Mnouchkine
flutua com suas faces rosadas e cabeleira branca.
Este livro, da crítica e teórica Josette Féral,
da Universidade de Québec, Canadá, traça um
panorama consistente da trajetória de uma
artista profundamente marcada pelo Oriente,
como o foram outros criadores europeus (Artaud,
Brecht, Grotowski). É algo menos comum ao
teatro brasileiro, à exceção sobretudo de Antunes
Filho. Estamos, lentamente, em busca da nossa
ancestralidade africana/indígena.
Cabe-me, por fim, acrescentar um pouco
da impressão pessoal que tive no encontro em
São Paulo, quando gravamos uma entrevista
para a SescTV. De longe já se notava sua figura
imponente, alta, um corpo sólido, gestos
incisivos. Filha de pai russo e mãe inglesa
estabelecidos na França, Ariane chegou a se
interessar pelo Brasil antes de se voltar para
a Ásia. Homem de cinema, seu pai Alexandre
Mnouchkine (1908-1993) foi produtor do filme
O homem do Rio (1964), com Jean-Paul
Belmondo e um elenco brasileiro.
Ela, que se iniciou no teatro em Oxford,
Inglaterra, a seguir tomou seu caminho
profissional com um grupo estudantil francês.
Quando nos encontramos, chamaram minha
atenção, uma vez mais, seu intenso olhar
azul metálico e a total disponibilidade para a
conversação, que fizemos um pouco em francês
e outro tanto em português, a seu pedido.
Quando perguntei como imagina o futuro
do Soleil, ela respondeu, com um sorriso
sublinhando uma expressão pensativa:
“É uma boa pergunta. Eu me preparo para
fazer uma bela transmissão”.
Contudo, não parece ser a hora da saída.
Imaginativa, energética e vibrante, Ariane vive
plenamente o que prega: “Eu não quero me privar
do movimento, não quero me privar da voz. Não
quero me privar do texto. Não quero me privar
da música. Não quero me privar de nada”.
Este livro minucioso e solidário de Josette
Féral retrata um mundo cênico efêmero e ao
mesmo tempo sólido, que brilha de Vincennes
para o mundo.
Jefferson Del Rios
Jornalista e crítico de teatro
Acabamento | Brochura |
---|---|
Páginas | 160 |
Data de publicação | 20/05/2021 |
Formato | 23 x 16 x 1.4 |
Lombada | 1.4 |
Altura | 1.4 |
Largura | 16 |
Comprimento | 23 |
Tipo | pbook |
Número da edição | 2 |
Subtitulo | Erguendo um monumento ao efêmero |
Classificações BISAC | PER011010; DRA004010 |
Classificações THEMA | ATDF; DD |
Idioma | por |
Peso | 0.308 |
Loading...